Penso que para divulgarmos o produto madeirense terá de haver, acima de tudo, uma maior consciência de quais os produtos que nós oferecemos e um maior conhecimento acerca dos mesmos.
Na minha opinião ainda se cometem muitos erros básicos na forma como tratamos os nossos produtos e tradições.
Normalmente, entre amigos, gosto de dar o exemplo da forma como, erradamente, alguns locais (a grande maioria) "tira" café, cá na Madeira. É frequente, (e isto acho que já se torna tradição) vermos muita gente ir tomar café pela manhã nos diversos “cafés” que o nosso Funchal, e não só, nos oferece. Não raras vezes, ouvimos alguém pedir, por exemplo, dois garotos, um normal e um mais “clarinho”, ora é aqui que entra a minha crítica, se estivermos com atenção, (no meu caso estou sempre atento aos cliques das puxadas que dão no moedor de café) veremos que, na maior parte dos casos, a palavra “clarinho” será sinónimo de “lucro a dobrar”, isto, para dizer que os “espertos” dos funcionários tirarão com a quantidade de café necessária para um bom garoto, não um, mas dois garotos, é claro que com prejuízo na qualidade do café de quem vai beber o tal “clarinho”. Neste caso, o cliente irá pagar o preço de dois garotos e o patrão irá gastar a quantidade de café de um só garoto.
Confuso? Não. Não é confuso, mas dá que pensar, ainda mais se tivermos em conta que estamos a falar de um simples café, contudo, o mal não está nas seis a oito gramas de café em causa, está sim no modo como estes actos já, de tantas vezes repetidos, se tornaram quase que correctos, tanto que se abordássemos os autores de tal disparate, correríamos o risco de sermos chamados de loucos (fala a voz da experiência!).
São estes tipos de paradigmas, que os pequenos “aldrabões” criam, que eu condeno, quem faz este tipo de artimanhas com um café faz com outro tipo de produto, e no fim é a qualidade dos nossos produtos e serviços que é posta em causa.
Pois é, o acto de beber café está já enraizado na nossa cultura portuguesa. Esta bebida faz parte do pequeno-almoço da maioria das pessoas em Portugal, mas também da pausa para café que é hoje um acto social.
Os portugueses são muito exigentes com o seu café, nós gostamos do café curto, longo, com leite “clarinho”, escuro, com espuma, sem espuma, quente ou morno. O pedido é sempre feito com estes pormenores que dão azo a uma “reclamação” caso o café não venha com as características desejadas.
Então, meus amigos, toca a não deixar que nos "enganem" com o café!
Cabe-nos trabalhar para que a nossa oferta seja realmente de qualidade e honesta. Hoje com um simples café, amanhã com outro pormenor qualquer.
Acabo o meu comentário com um pensamento de Fernando Pessoa que espelha qual deve ser o comportamento de quem serve e de quem quer o melhor em tudo o que faz.
“Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive.” (Fernando Pessoa, “Sê PLURAL como o UNIVERSO…”, 2008:59).
Abraço! :)
Hélder Belim
Com a competitividade que existe neste sector, penso que os empresários deverão pensar mais na qualidade dos seus serviços, isto para se demarcarem da concorrência e conquistarem clientes em vez de os perder.
ResponderEliminarOs consumidores, deverão aproveitar este tipo de blogs, para se manter informados e com isso compreender um pouco mais o conceito de qualidade neste sector.
Ruben, a competitividade deve existir e é boa, tanto para o consumidor que tem um leque de oferta maior, como para o prestador do serviço, que tem de estar atento e, pelo menos, ao nível dos outros...quando o serviço for encarado como uma troca de experiências, mais do que como uma "vassalagem" ou um "frete", então esta área ganhará muito e evoluirá para outro patamar, o do "bem estar".
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